
Falta de amor próprio: por que você sempre se coloca em último lugar?
Você resolve o problema de todo o mundo. Está disponível quando alguém precisa. Engole o que incomoda para evitar conflitos e, muitas vezes, diz “sim” quando, na verdade, gostaria de dizer “não”.
No entanto, quando finalmente chegar à sua vez, já não sobra tempo, disposição ou energia.
Talvez você nem perceba, mas viver dessa maneira pode revelar algo muito importante: você aprendeu a cuidar dos outros, mas pode ter esquecido de incluir a si mesmo nesse cuidado.
A falta de amor próprio nem sempre aparece como eliminado à própria imagem ou como o pensamento “eu não gosto de mim”. Muitas vezes, ela se manifesta de formas muito mais silenciosas.
Ela aparece quando você aceita menos do que merece, sente culpa ao estabelecer limites, precisa constantemente da aprovação das pessoas ou acredita que se colocar em primeiro lugar significa ser egoísta.
Por isso, desenvolver o amor próprio não significa apenas olhar no espelho e gostar do que vê. É aprender a considerar o próprio valor também nas escolhas que fazem todos os dias.
O que é amor próprio na prática?
Amor próprio não é acreditar que você é perfeito.
Também não significa pensar apenas em si mesmo ou ignorar as necessidades das outras pessoas.
Na prática, o amor próprio é conseguir olhar para as próprias necessidades com a mesma consideração que você costuma oferecer a quem ama.
É perceber quando alguma situação está ultrapassando seus limites, relaxe sem precisar de cansaço. É possível dizer “não” quando o “sim” significaria desrespeitar a mesma coisa.
Além disso, o amor envolve a própria atenção de que suas necessidades também têm importância.
Colocar-se em prioridade não significa colocar os outros em último lugar. Significa apenas parar de deixar você sempre lá.
Sinais de falta de amor próprio
Nem sempre é fácil perceber quando estamos abandonando emocionalmente.
Alguns comportamentos se tornarão tão comuns que começaremos a considerá-los parte de nossa personalidade.
Por isso, observe se você costuma:
- sentir culpa quando diz “não”;
- fazer mais pelos outros do que realmente gostaria;
- aceitar comportamentos que lhe causam sofrimento por medo de perder alguém;
- precisar frequentemente da aprovação das pessoas;
- evitar expressar o que sente para não criar conflitos;
- colocar suas necessidades sempre depois das necessidades dos outros;
- permanecer em relações nas quais existe pouca reciprocidade;
- cobrar de si mesma uma perfeição que jamais cobraria de alguém que ama;
- sentir que precisa estar sempre disponível;
- acreditar que cuidar de si é egoísmo.
Um comportamento isolado não define falta de amor próprio. Entretanto, quando vários deles se repetem constantemente, talvez seja importante observar a maneira como você tem se relacionado consigo mesma.
Por que é tão difícil colocar no primeiro lugar?
Muitas pessoas cresceram aprendendo que ser uma pessoa boa significa ser disponível, abrangente e prestativo.
Ajudar, cuidar e acolher são atitudes bonitas. O problema começa quando esse cuidado exige que você desapareça.
Talvez você tenha aprendido que dizer “não” decepcionar as pessoas. Ou que limites provocam exclusão. Talvez tenha percebido, ainda muito cedo, que agradar era uma maneira de receber carinho, reconhecimento ou aprovação.
Com o passar dos anos, esse comportamento pode se tornar automático.
Então, você continua falando “sim”, mesmo cansada. Continuando aceitando, mesmo incomodada. Continua cedendo, mesmo quando alguma parte sua gostaria de escolher diferente.
Existe uma pergunta importante aqui:
Quantas vezes você se abandonou para evitar que outra pessoa fosse embora?
Amor próprio não é egoísmo
Esse talvez seja um dos maiores equívocos relacionados ao tema.
Existe uma diferença enorme entre egoísmo e autocuidado .
O egoísmo desconsidera as necessidades do outro. O amor próprio apenas confirma que suas necessidades também existem.
Você pode amar alguém profundamente e ainda estabelecer limites.
Pode ser generosamente disponível o tempo inteiro.
Pode ajudar sem assumir responsabilidades que pertencem a outros.
E você pode escolher a mesma em determinadas situações sem deixar de amar ninguém.
Na verdade, relacionamentos mais saudáveis tendem a acontecer quando duas pessoas conseguem estar juntas sem que uma delas precise desaparecer para que uma outra perdure.
Quando o medo de perder alguém faz você perder a mesma coisa
Algumas pessoas apoiam situações dolorosas porque acreditam que estabelecer um limite poderá provocar afastamento.
Então começamos as concessões.
Primeiro, você deixa passar algo pequeno. Depois, evita determinada conversa. Mais tarde, percebe que está sempre tentando entender o outro, enquanto quase ninguém pergunta como você está.
Pouco a pouco, a relação deixa de ser construída somente pelo afeto e passa a ser sustentada também pelo medo.
Medo de entrar e criar conflitos, medo de ficar sozinho e medo de perder.
Entretanto, existe uma perda que também precisa ser considerada: aquela que acontece quando você fica ao lado de alguém, mas vai se salvar de si mesmo.
Como começar a desenvolver o amor próprio?
Amor próprio não nasce de uma decisão tomada numa manhã.
Ele é construído.
E, muitas vezes, começa através de atitudes pequenas.
1. Observe seus “pecados”
Antes de concordar automaticamente com alguma coisa, pergunte a si mesma:
“Eu realmente quero fazer isso ou só estou com medo de decepcionar alguém?”
Essa pequena pausa pode revelar muita coisa.
2. Aprenda a suportar o desconforto de dizer “não”
No começo, estabelecer limites pode trazer culpa.
Isso não significa necessariamente que você esteja fazendo algo errado. Pode significar apenas que você está fazendo algo diferente do que sempre fez.
Você não precisa explicar todos os seus limites.
Às vezes, um simples “hoje não posso” já é suficiente.
3. Observe como você fala consigo mesma
Preste atenção à sua voz interior.
Quando você errou, como se trata?
Quando não consegue cumprir tudo o que planejou, qual é o tom dessa conversa?
Muitas pessoas oferecem compreensão a todos, mas dirigem as mesmas palavras extremamente duras.
Experimente perguntar:
“Eu falaria dessa maneira com alguém que amo?”
Se a resposta for não, talvez você também não mereça receber esse tratamento de si mesma.
4. Pare de negociar aquilo que lhe machuca
O amor próprio também aparece nos limites.
Existem situações que podem ser conversadas e ajustadas. Porém, existem outras que se repetem com justiça porque nunca encontram um limite.
Observe aquilo que muitas vezes causa sofrimento e questiona:
“Por que continuo permitindo algo que me faz tão mal?”
A resposta pode não ser confortável, mas pode abrir um caminho importante de autoconhecimento.
5. Volte a ocupar espaço na própria vida
Pergunte a si mesmo o que você gosta de fazer.
Não é o que seus filhos gostam ou o que seu parceiro prefere. Não é o que seus amigos esperam.
O que você gosta?
Pode parecer uma pergunta simples. Entretanto, para quem passou muitos anos vivendo em função das necessidades alheias, a resposta pode não surgir imediatamente.
Comece cedo.
Retome um interesse antigo. Faça algo apenas porque lhe proporciona prazer. Reserve algum tempo para você sem transformá-lo em mais uma obrigação.
Aos poucos, você começa a se reencontrar.
Florais de Bach e o processo de aprendizagem a estabelecer limites
Dentro das práticas integrativas, algumas pessoas também buscam os Florais de Bach como recurso complementar em momentos de autoconhecimento e cuidado emocional.
Entre as essências associadas à dificuldade de estabelecer limites está Centaury , utilizada no sistema floral para padrões relacionados à dificuldade de dizer “não” e à tendência de colocar as necessidades dos outros à frente das.
Entretanto, é importante compreender que os florais não substituem acompanhamento médico, psicológico ou outros tratamentos de saúde quando necessário. Seu uso pode integrar uma proposta complementar de cuidado e reflexão individual.
Mais importante do que buscar uma solução imediata é começar a compreender os padrões que você faz para obter aprovação, acessibilidade ou afeto.
Você não precisa deixar de amar os outros para começar a amar a si mesma
Desenvolver amor próprio não exige que você se torne uma pessoa fria, distante ou indiferente.
Pelo contrário.
Você pode continuar sendo amoroso, generoso e disponível. A diferença é que, um pouco, aprenderá a perceber quando algo oferecer ao outro começa a custar demais para você .
Talvez algumas pessoas extrapolem seus novos limites.
Principalmente aqueles que estavam habituados à sua ausência de limites.
Ainda assim, aprender a se respeitar é uma maneira importante de transformar a relação que você estabelece a mesma e, consequentemente, com as outras pessoas.
Você não precisa se tornar outra pessoa.
Talvez seja preciso apenas parar de abandonar aquilo que sempre esteve com você: você mesma.
Perguntas sobre amor
Como saber se não tenho amor próprio?
Não existe apenas um sinal. Dificuldade constante de estabelecer limites, necessidade excessiva de aprovação, medo intenso de desagradar e tendência a colocar sempre as necessidades alheias antes das próprias podem indicar que vale a pena observar como está sua relação consigo mesma.
Amor próprio é a mesma coisa que autoestima?
Não exatamente. Embora estejam relacionados, a autoestima costuma envolver a percepção que temos sobre nossos próprios valores e capacidades. O amor próprio também aparece na forma como nos tratamos, nas escolhas que fazemos e nos limites que estabelecemos.
Dizer “não” é uma forma de amor próprio?
Pode ser. Quando o “não” representa respeito aos próprios limites, necessidades e possibilidades, ele pode fazer parte de uma relação mais saudável consigo mesma.
Como começar a praticar o amor próprio?
Comece observando situações nas quais você costuma se abandonar para agradar outras pessoas. Pequenas atitudes, como expressar uma necessidade, reservar tempo para si e estabelecer um limite, podem iniciar mudanças importantes.
Um convite ao autoconhecimento
Se você percebe que tem dificuldade para estabelecer limites, costuma colocar as necessidades de todos antes das suas ou sente que perdeu um pouco de si tentando cuidar de todo o mundo, talvez seja o momento de olhar com mais carinho para essa relação.
Eu sou a Lu, Terapeuta Floral, Mestre Reiki, Taróloga e estudante de Psicanálise e Terapia Ocupacional.
Na Luz Terapia Floral , meu trabalho é voltado ao acolhimento e ao autoconhecimento por meio das práticas integrativas que fazem parte da minha atuação.
Se quiser conhecer melhor meu trabalho ou obter informações sobre os atendimentos, entre em contato comigo pelos canais disponíveis aqui no blog.
Porque cuidar de si não significa amar menos os outros. Finalmente significa incluir você entre as pessoas que merecem o seu amor. 🌷
